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Música silenciosa

Desprendi os cabelos ondulados, deixei que o vento me penteasse com o pente dourado das brisas da manhã. Suspirei e , no coração vesti um sorriso perfumado de sonhos. Caminhei serena pelas sendas da vida, sentia na alma uma carícia de paz e tranqüilidade. Sentei-me na berma do sentir…respirei os aromas das flores que espalhavam mil cores em meu olhar.

Na minha bagagem não levava somente a magia da solidão, havia vestidos de lembranças, sedas de porvir. Perdia=me no Vale dos Sonhos, namorava o silêncio e como uma bailarina, rodopiava em êxtases de encantamento. Demorava-me nos murmúrios do sentir. Entendi, num desses momentos de cogitação, que os sonhos podem murchar e que é preciso semear novos sonhos…Chorei.Uma lágrima perdida dentro de mim rolou pela minha face rósea.Tão escondida e transparente, senti um barulho apertado no peito. Precisava de alguém que me emprestasse o sentir. Precisava de flutuar no vento, ouvir as palavras das estrelas…Esperava pela noite, precisava entrar pelo portal da Lua…renovar o sentir.

Aproxima-se a noite, os pensamentos preparam-se para voar…soltam-se os murmúrios da alma num êxtase sideral. Deixo entrar a música do silêncio e os meus sentidos ascendem na brisa das estrelas.

Algemas nos poemas

Hoje não quero escrever poemas…hoje formam-se simplesmente pedaços de dor…palavras algemadas pela atrocidade da vida…versos tresmalhados sem rima chamando no horizonte…voz embargada nas teias do malogrado destino, vida despojada na sombra dos lamentos.

A noite prolonga-se…esconde os segredos do sentir…afaga-me nos braços meigos das constelações azuis… e os minutos correm…gritam as horas e , quando amanhece, os meus olhos, esmaecidos, ainda não consegue avistar o sol que espreita na janela dos meus sonhos.

Patricia Romiti

De lírios primaveris

Na chama da lua de lírios em noite escura…
brilha o sorriso de orvalhadas rosas,
acariciadas pelo vento, é o doce alento que transforma
indefinidos sentidos em calor intenso

Conto constelados sonhos de Pégasus,
E assim, espanto o pranto nas estrelas,
com versos converso em silêncios que
explodem em cascatas de sons imensos

Canto no canto do céu e canto no coração da Terra
tanto, que o brilho da mais iluminada estrela
germine e origine o encanto da primavera dos astros
doce e silenciosamente como as asas dos pássaros

Patricia Romiti

 

Ondulações íntimas

 

Indecifrável

Há um segredo guardado
no livro da vida
Uma página de silêncio
em que os olhos se perdem
em cogitações do sentir.
Folheiam-se lembranças,
memórias perdidas…
O susssurro de um alento
espreita nas estradas
do pensamento,
que morre  na brisa
de un sonho
ainda por germinar.

 

Patricia Romiti

 

Distante paisagem

Construo a paisagem com fragmentos de memória,

pedaços de solidão que encontro nas palavras

preenchidas de um abandono anunciado

Não sei se quero a solidão que me domina os sentidos

Talvez deseje o voo das viagens que me elevam para o infinito onde te encontrava…

Mas as asas quebraram-se no inverno da desilusão

Se ao menos tu voltasses e me desses somente

a luz do teu olhar, talvez os meus olhos resgatariam a magia  de sensações perdidas

nos vastos  campos do pensamento.

Lembro-me quando despias a alma e me oferecias embrulhada em olhares.

O amor  abria as suas portas, por onde entrávamos, com estrelas nos olhos

levando um sentimento transparente que  iluminava as horas paradas

em que o tempo quebrava os ponteiros da dor …

mas  agora, sou acordada por uma paisagem de cores invisíveis,

vejo  imagens secretas a brotar sonhos  mortos .

Patricia Romiti

Círculo insolúvel

A insônia da madrugada,
vomita calor vazio,
liberto no cobertor frio
E assim, dormem meus medos…
no olhar da ausência,
um brilho de gozo e segredo.

Patricia Romiti

Invocarei o oceano infindo que trago no peito
e irei ao encontro da luz  do barco
até o invisível lugar por detrás dos olhos,
onde todos os sentimentos se diluem e se solidificam
na imagem da  margem longínqua
onde a água  custa a atravessar muralhas de fogo.

Patricia Romiti

Caminhos calados

Adormeço nos braços do sonho, naquele espaço etéreo onde o pensamento se entrelaça com o infinito. O meu corpo suspenso no éter procura o teu…vejo a tua luz que cintila no sossego cálido da noite…estendo-te a mão…o meu olhar perde-se na profusão das cores incandescentes que pincelam o céu de aromas e jardins esvoaçantes de brisas enfeitiçadas.

As tuas mãos invisíveis rogam carícias que te quero dar, os teus lábios desejam provar a alquimia dos meus beijos…o abraço que corre no vento querendo tocar a pele dos sentidos, sorver os aromas apetecíveis do crepúsculo estonteante…

Flutuamos por sendas de esplendor num suave retorno a eternidade…vemos paisagens de futuro…agora sabemos que existimos além dos caminhos celestes e dos bosques de asas brancas…existes no lugar profundo da utopia e sabes encontrar-me, porque já entendeste o silêncio das névoas em que me fecho vagueando sobre águas cristalinas que aguardam séculos de ansiedade em tua demanda

Antes que a alba cubra o horizonte, guardo o sabor do teu sorriso que encontrei no mistério das estrelas…canção da noite que toca acordes de luz e encanto, pétalas de ternura a esvoaçar nos véus da alma.

Hoje és parte do meu ser…uma unção enigmática de remanso, um bailado rítmico e ondulante que atravessou galáxias e repousa agora em mim…no alvorecer do mesmo sonho.

Tu és a raiz do poema que em mim germina agora, és alento, és luz,  asas de seda que esvoaçam no horizonte do meu sentir e me levam na brisa dos afetos até um recanto sagrado onde os sonhos acordam e voam no infinito dos desejos. Tu és a palavra suspirada pelo meu coração, és melodia etérea que baila na minha essência, onda serena que acaricia o meu corpo desnudo de sentido.Tu és estrela luzente que alumia o labirinto das frases que ainda não nasceram….és o abrigo diáfano onde me refugio nas tempestades do dia, murmúrio doce e harmônico que me envolve de perfumes e dulcifica a madrugada.

No aconchego dos teus braços paira o sonho, o mesmo sonho que me habita…o mesmo jardim de esperança,flores perdidas por nós resgatadas neste universo reencontrado. Reconheci-te no enigma das palavras, inventei-te em cada suspirar das brisas, no espaço vazio das minhas mãos que se enchem de ti e desejam a viagem do teu corpo.

Ainda guardo as pétalas de estrelas que me ofertaste no carinho do teu pensamento…a minha alma ainda tem cores de lua cheia, matizes de infinito que colheste no arco-íris da memória…fragrâncias de silêncio que cantam segredos do coração…

Sei-te assim na ternura do meu pensar, desenho-te um beijo nos lábios e beijo-te através do meu  poema que nasceu de ti

Patricia Romiti

Língua secreta

A retina acende o poema
que repousa na pele
quer perder-se no sono da chama
onde a escrita silenciosa derrama
palavras que brotam das carícias
constantes como água em movimento
e  as mãos amanhecem pontes…

Patricia Romiti